terça-feira, 11 de Março de 2008

Aprenda a superar as dificuldades sexuais femininas - Dossier Sexo VI

Identifique os principais obstáculos ao prazer sexual e saiba como vencê-los
O principal órgão sexual feminino é o cérebro, dizem os investigadores. Parece exagero, mas é talvez a razão porque muito da nossa resposta sexual ainda está por explicar.

Na perspectiva feminina o cerne não está na performance mas na satisfação e o padrão da relação (desejo, excitação, orgasmo) nem sempre é cumprido, como ilustra Patrícia Pascoal, terapeuta sexual:

«Há mulheres que não têm orgasmo ou desejo com a mesma frequência que os homens e não se sentem, por isso, insatisfeitas». Assim, a dificuldade sexual implica «a percepção pessoal de insatisfação ou sofrimento associado ao comportamento sexual».

Onde está o problema? Uma relação sexual depende de muitos factores. Além de questões de ordem física, a auto-estima, a imagem ou a ligação com o parceiro podem condicionar a reacção da mulher.

O diálogo é o primeiro passo, defende a ginecologista Lisa Vicente: «Por vezes a mulher tem dificuldade, o homem nota que algo não está bem e ambos ficam com a ideia de que há um problema mas não o abordam. É importante falar com o parceiro».

Os problemas sexuais femininos são tão diversos que «pode ser necessária uma intervenção médica de especialidade (ginecologia), consulta de terapia sexual ou conjugal ou ainda uma abordagem multidisciplinar», indica Patrícia Pascoal.

Vejamos então as principais dificuldades e como ultrapassá-las:

Desejo sexual hipoactivo
É a grande preocupação feminina e traduz-se na fraca receptividade para o envolvimento sexual. Pode advir de alterações hormonais, doenças neurológicas ou endócrinas, uso de fármacos (como antidepressivos, embora a própria depressão afecte o desejo) ou indiciar problemas como a dispareunia.

O lado psicológico é fulcral, diz a ginecologista: «O desejo não é só uma questão de hormonas, tem a ver com o relacionamento, a vontade de intimidade da pessoa e a proximidade do parceiro».

A solução
O desejo varia consoante a pessoa, a fase da vida e há mulheres sem desejo espontâneo (não tomam a iniciativa) mas com satisfação sexual. Face à redução ou falta persistente, o ginecologista pode substituir medicação, detectar causas físicas ou outros problemas.

Em relação às hormonas, «uma teoria recente defende que o desejo feminino também é afectado pelos níveis de testosterona», refere Lisa Vicente. Isto levou à criação de soluções tópicas como o gel, cujas indicações limitadas requerem supervisão médica.

Perturbação da excitação
Incapacidade frequente em ter ou manter a lubrificação vaginal e intumescência sexual até ao fim do acto, associada por vezes à falta de excitação. Pode dever-se a estimulação insuficiente, «alterações hormonais, o que inclui a menopausa (pela redução dos níveis de estrogénio e da vascularização vaginal) e o pós-parto, onde conjugam aspectos físicos (cicatriz, secura vaginal, cansaço) e psicológicos» refere Lisa Vicente.

A solução
Em consulta, pode ver-se «se há uma lesão vaginal que pode ser reparada ou indicar o uso de um lubrificante. Mas o mais importante é o casal dialogar e perceber que é algo comum e passageiro», alerta a especialista, referindo que «na menopausa a terapia hormonal de substituição é uma das formas de tratamento».

O comprimido azul, com êxito na erecção masculina, não obteve igual eficácia na mulher, mas pode ser usado «em casos de diabetes ou doenças neurológicas em que há alteração da vasodilatação na fase da excitação», exemplifica.

Dispareunia
Dor genital ou pélvica recorrente durante a penetração que impede o prazer sexual. Pode surgir por razões ginecológicas (lesões ou infecções vaginais), falta de lubrificação, na menopausa e pós-parto, ou em casos de diabetes.

A solução
O desconforto na relação pode surgir pontualmente por cansaço ou falta de libido e não é razão para alarme.

Contudo, se «a dor persiste, deve falar com o ginecologista para despistar possíveis causas orgânicas», aconselha Lisa Vicente. Muitas vezes, a resolução passa pelo tratamento da infecção ou pelo uso de um lubrificante.

Anorgasmia
Dificuldade em atingir o orgasmo, mesmo com estimulação e lubrificação suficiente. Pode advir de outras disfunções e de aspectos psicológicos, como experiências anteriores negativas ou falta de concentração no acto sexual.

«Se uma mulher tem dores ou falta de lubrificação vaginal acaba por não ter orgasmo, mas se tem desejo, excitação e nunca atinge o orgasmo já não se deve a uma causa orgânica», explica Lisa Vicente.

A solução
Na maioria dos casos, o tratamento passa pela realização de terapia sexual.

Vaginismo
Reacção involuntária da musculatura vaginal que impede a penetração, sendo também encarada como fobia. Pode resultar de ansiedade face ao acto, experiências dolorosas, trauma, entre outros factores psicológicos.

A solução
A dificuldade de penetração pode suceder pontualmente, por exemplo nas primeiras relações, sem que seja razão para alarme. Quando persiste poderá recorrer-se a terapia sexual ou técnicas de relaxamento.



As principais terapias

Terapia sexual
Prática individual específica para dificuldades sexuais. «Integra procedimentos cognitivo-comportamentais e de orientação sistémica» e é, para Patrícia Pascoal, terapeuta sexual, «o modelo cuja eficácia está mais bem estabelecida».

Terapia de casal
«Destina-se essencialmente ao funcionamento conjugal e permite ajudar a melhorar a qualidade de vida do casal», afirma Patrícia Pascoal. Envolve ambos os parceiros no diálogo e análise da relação.

Psicodrama
Prática psicoterapêutica que, através da dramatização e «em grupo, pode ser aplicada às dificuldades conjugais», sugere a terapeuta.

Técnicas de relaxamento
Ajudam a reduzir a intensidade das manifestações fisiológicas de ansiedade. «Pode ser eficaz quando a ansiedade provoca tensão muscular e é uma boa estratégia distractiva para quem se focaliza em aspectos negativos, como a má auto-imagem corporal», explica.

Apoio suplementar
A linha SOS Dificuldades Sexuais (808 206 206) presta apoio especializado e anónimo na área da sexologia. Funciona aos dias úteis das 18h às 20h.

DOSSIER SEXO:
15 truques para (re)animar a sua vida sexual - dossier I
Como potenciar o orgasmo - dossier II
Quando a mulher perde o desejo - dossier III
Quando o homem não deseja - dossier IV
Volte a ter sexo com prazer - dossier V
Aprenda a superar as dificuldades sexuais femininas - dossier VI
Fantasias sexuais - dossier VII
Alimentos afrodisíacos - dossier VIII
Teste o seu desejo sexual - dossier IX
Teste a sua função eréctil -
dossier X
Como falar de sexo com o seu filho -dossier XI


Texto: Manuela Vasconcelos com Patrícia Pascoal (terapeuta sexual) e Lisa Vicente (ginecologista)
Foto: Artur (com produção de Mónica Maia)
A responsabilidade editorial desta informação é da revista Saber Viver
Fonte: http://mulher.sapo.pt/saberviver/artigos/saude/808586-2.html

2 comentários:

AJUDA PORTUGAL disse...

Ajuda Portugal nasceu ontem, passe por lá, seja um dos primeiros a ajudar, mesmo que seja só com um comentario ou ainda ajudando a na sua divulgação.
Obrigada.

Carangueja Lunar disse...

Minha querida, esse dossier sobre sexo está mto bom, acho que vou fazer referencia a ele no meu blog, vai ajudar mto casal por ai! bjinhos de luz